O que: André Maciel criou o projeto Aqui Existiu uma Árvore, em que transforma marcas de tocos em gravuras. A iniciativa registra vestígios das árvores cortadas e, segundo o artista, funciona como uma forma sutil de protesto.
Por que: Maciel diz que começou o trabalho ao observar muitas árvores derrubadas em Pinheiros. Ele afirma que algumas são cortadas mesmo saudáveis e destaca que elas ajudam a reduzir a temperatura, conduzir água ao solo e atrair pássaros.
Quem: André Maciel, artista plástico de 40 anos, faz as gravuras. Ele busca especialmente espécies nativas do Brasil e da América do Sul, como tipuana e sibipiruna.
Onde: O artista já produziu gravuras em Pinheiros, Jaguaré e Lapa, na cidade de São Paulo. Também esteve no Rio de Janeiro para preparar obras destinadas a uma exposição na Firjan e planeja levar o projeto ao Paraná para registrar araucárias.
Quando: Maciel conta que começou a observar árvores cortadas em Pinheiros há dois ou três anos. A reportagem também relata que, na semana anterior à publicação, árvores foram derrubadas no largo Padre Péricles, em Perdizes.
Quanto: Maciel já fez cerca de 30 gravuras em São Paulo. No Rio, produzia dez obras para a exposição. O papel usado nas impressões mede 70 centímetros por 1 metro.
Como: O artista aplica tinta preta à base de água no toco e pressiona uma folha de papel sobre ele com um rolo de borracha. Depois, identifica a espécie e a localização da árvore, usando o Google Maps para obter as coordenadas, e inclui essas informações na gravura.
A Folha olha para o toco e vê memória: André Maciel transforma troncos cortados em gravuras e protesto. O Estadão aponta outra face do problema: em 2025, relacionou a queda de árvores e a morte de uma pessoa à falta de prevenção e ao manejo inadequado. Não é uma defesa da motosserra. É um alerta de que conservar também exige cuidar. (noticias.uol.com.br)
O Metrópoles apresentou uma possível ferramenta para isso: um programa desenvolvido na USP que simula podas e pode ajudar a reduzir quedas. Na reportagem de 2025, a tecnologia ainda precisava de testes. A ideia é promissora: usar a cabeça antes de serrar o que vem pela frente. (metropoles.com)
Já o SBT News mostrou o conflito na rua Sena Madureira, em 2024. Enquanto a Justiça suspendia uma obra após protestos e ação do Ministério Público, a prefeitura defendia os túneis e prometia plantar mudas. Convenhamos: uma muda não devolve, por decreto, a sombra de uma árvore adulta. (sbtnews.sbt.com.br)
A Folha escolhe o enquadramento da perda e do protesto artístico. É um olhar forte, mas a reportagem não apresenta laudos para os cortes citados nem confronta a denúncia com a posição dos responsáveis. A gravura preserva a memória; a investigação mostraria quem assinou a sentença.
A matéria apresenta o corte de árvores em São Paulo como um problema urbano recorrente. Segundo o texto, elas são removidas por diferentes motivos, incluindo raízes que afetam calçadas, podas, obras imobiliárias e decisões arbitrárias.
O artista André Maciel transforma tocos em registros visuais. Com monotipia, imprime no papel as marcas do tronco, que, segundo ele, mostram tanto os anéis de crescimento quanto os cortes da motosserra.
O projeto combina memória e protesto. As gravuras recebem identificação da espécie e localização geográfica, preservando informações sobre árvores que já não estão de pé. Maciel descreve o trabalho como uma forma sutil de contestar a destruição do patrimônio vegetal.
A iniciativa ainda é pequena, mas pode se expandir. O artista já produziu cerca de 30 gravuras em bairros paulistanos e planeja levar o projeto a outras regiões do Brasil. O texto também menciona uma exposição no Rio de Janeiro sobre mudanças climáticas.
A matéria aproxima arte e preocupação ambiental sem propor uma ação específica ao leitor. Sua intenção parece ser tornar visível a perda de árvores e destacar o valor documental do trabalho de Maciel. Em vez de apresentar soluções para o problema, oferece ao público uma maneira de olhar para os tocos como vestígios de vidas urbanas interrompidas.
Fontes presentes: A única fonte ouvida é o artista André Maciel, que explica sua obra e interpreta os cortes como destruição do patrimônio vegetal. O restante da narrativa vem do repórter, sem atribuição de dados a registros ou especialistas.
Fontes ausentes: Faltam a Prefeitura e a Subprefeitura, responsáveis por autorizações e manejo, além da Enel, citada como motivo para podas perto da rede elétrica. Também fariam diferença moradores afetados e especialistas em arborização, capazes de avaliar casos concretos e separar cortes arbitrários de intervenções por risco, saúde da árvore ou conflito com calçadas. A própria Prefeitura prevê avaliação técnica e laudo para justificar remoções. (legislacao.prefeitura.sp.gov.br)
Avaliação do impacto: A seleção pende para a denúncia: a expressão “matança desenfreada” aparece como premissa, mas o artigo não apresenta evidências para medir o fenômeno nem contrapõe justificativas. Como perfil de um artista, o recorte é compreensível; como retrato do problema urbano, deixa a narrativa desequilibrada. Em outras reportagens, moradores, Prefeitura e especialistas foram ouvidos sobre disputas e razões técnicas para cortes. (www1.folha.uol.com.br)
A matéria chama os cortes de “matança desenfreada” e afirma que muitas árvores saudáveis são removidas, mas não informa quantas foram cortadas, em que período, por quais motivos nem como se confirmou a saúde delas. Sem esses dados, não dá para saber se os casos citados revelam um problema amplo ou episódios isolados.
Também falta a resposta da Prefeitura e, quando cabível, das empresas responsáveis pela rede elétrica: havia autorização, laudo ou plano de manejo? Essas informações poderiam distinguir remoções arbitrárias de cortes justificados e mudar o peso da acusação central.
A matéria da Folha tem perfil de apresentação artística, não de investigação sobre o manejo das árvores. O texto acompanha a visão de André Maciel e chama os cortes de “matança desenfreada” e “drama urbano”, termos que elevam a carga emocional sem apresentar dados sobre a dimensão do problema.
Há uma tensão entre a ideia de destruição “arbitrária”, destacada no subtítulo, e exemplos que incluem raízes afetando calçadas e proteção da rede elétrica. O artigo não apura se esses motivos justificam os cortes; tampouco contrapõe a fala do artista a outras fontes. Assim, o protesto ganha espaço, mas a explicação das decisões fica de fora.
O título, por sua vez, corresponde ao conteúdo: a matéria mostra como o artista registra árvores cortadas. Não há clickbait evidente. “Foram abaixo” suaviza o corte; “matança” faz o contrário. A árvore, além de tombada, recebe um reforço retórico.
Fontes identificadas
Evidências apresentadas
Limite da apuração