Augusto Cury cresce e chega aos dois dígitos, mas Lula e Flávio seguem tão à frente que a terceira via ainda usa binóculo
O que: Pesquisas eleitorais divulgadas na última semana apontaram crescimento das intenções de voto em Augusto Cury (Avante) para a Presidência da República em 2026. O candidato passou de percentuais abaixo de 4% para uma faixa entre 7% e 11%, conforme o instituto.
Por que: Segundo a matéria, debates, entrevistas e o crescimento nas redes sociais ampliaram o conhecimento sobre Cury. O avanço teria atraído principalmente eleitores independentes e reduzido as intenções de voto de adversários como Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema.
Quem: Augusto Cury aparece como candidato do Avante. Os principais concorrentes citados são Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
Onde: As pesquisas foram realizadas em âmbito nacional. O texto também cita o debate da Band, uma entrevista no Jornal Nacional e o crescimento de Cury no Instagram.
Quando: Sete levantamentos foram publicados entre 31 de agosto e 3 de setembro de 2026. A matéria compara ainda pesquisas da Quaest realizadas em julho, agosto e setembro.
Quanto: Cury chegou a entre 7% e 11% das intenções de voto e alcançou 10% na pesquisa Quaest. No Instagram, ultrapassou 10 milhões de seguidores em menos de duas semanas.
Na Quaest, o índice de pessoas que conheciam Cury e declaravam voto nele subiu de 10%, em agosto, para 21%, no início de setembro. Entre os que pretendiam votar nele, 52% disseram que a escolha era definitiva.
No primeiro turno da Quaest, Cury avançou 8 pontos percentuais. Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos recuaram 1 ponto; Zema também caiu 1 ponto, e Caiado perdeu 3 pontos.
No cenário de segundo turno testado pela Quaest, Lula aparece com 40%, contra 34% de Cury. A pesquisa foi a única, entre as citadas, a apresentar esse confronto.
Como: O crescimento foi identificado por Nexus/BTG Pactual, AtlasIntel, Real Time Big Data, Quaest, PoderData, Futura Inteligência e Datafolha. Os levantamentos ouviram entre 2.000 e 5.014 pessoas, com margens de erro de 1 a 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Glossário: Cenário estimulado é aquele em que os entrevistados recebem uma lista de candidatos para escolher. Terceira via é a expressão usada na matéria para designar uma alternativa aos dois grupos políticos que lideram a disputa, representados por Lula e Flávio Bolsonaro.
A Gazeta do Povo vende o avanço de Augusto Cury como se fosse prova matemática: “sete institutos confirmaram” e pronto, terceira via renascida em velocidade relâmpago. (wwws.gazetadopovo.com.br)
Só que outros veículos mostram o “comofunciona” do milagre. O UOL detalha que os percentuais variam (7,8% a 11%) e traz a pista incômoda: quando a disputa é medida por internet/telefone, o ritmo parece diferente do que o presencial capturou antes. (noticias.uol.com.br)
A Folha vai além: descreve o “fenômeno meme” e registra que rivais passaram a falar em suspeita e no papel de influenciadores. (www1.folha.uol.com.br)
A Exame entrega o termômetro digital: crescimento de menções e seguidores, com direito a “orquestração” - ainda que sempre com o aviso de que é cedo pra cravar permanência. (exame.com)
Enquanto isso, a CNN registra o próprio Cury batendo na tecla de “espontâneo” e a briga narrativa sobre robôs. (cnnbrasil.com.br)
Conclusão: O framing da Gazeta é triunfalista: transforma variação em “confirmação”, tendência em destino e redes em detalhe. O resto da imprensa trata como fenômeno em disputa - com método, limites e barulho digital influenciando a leitura das pesquisas.
Crescimento rápido nas pesquisas: Segundo o texto, as sete pesquisas divulgadas na última semana indicam salto das intenções de voto do escritor Augusto Cury (Avante), saindo do “máximo” de 4% (e até abaixo de 2%, em cenários anteriores) para a faixa de 7% a 11%, chegando a dois dígitos.
Terceira via como narrativa: A matéria constrói a ideia de Cury como “terceira via” num cenário de polarização entre Flávio Bolsonaro e Lula, sugerindo que o aumento recente daria espaço para consolidação.
Mas ainda não ameaça a liderança no 1º turno: O texto sustenta que o avanço não seria suficiente para incomodar o objetivo de Lula e Flávio irem ao segundo turno. A distância no primeiro turno seria, conforme a matéria, de dezenas de pontos percentuais.
Conhecimento vira intenção de voto: Segundo a reportagem, o crescimento estaria ligado a “popularização” (Band, Jornal Nacional, redes sociais). Um dado citado da Quaest: de 10% (agosto) para 21% (início de setembro) entre quem conhece e vota.
Voto mais “definido” após conhecer: O texto diz que a parcela que afirma que votaria de modo definitivo aumentou, citando 52% na intenção de voto (no recorte apresentado), como se a familiaridade estivesse convertendo em compromisso.
Transferência de votos: A matéria afirma que Cury teria tirado votos principalmente de quem já pulverizava escolha (independentes) e também de um bloco citado como “atrás” de Flávio e Lula. O texto menciona ainda que, para a Quaest em 10% (cenário), houve queda/oscilações de outros candidatos.
Em 2º turno, teste só contra Lula: Apenas a Quaest teria testado segundo turno contra Lula, com 40% contra 34% para Cury, segundo o artigo.
Intenção final do autor (e o recado implícito): A construção do texto dá destaque ao “meteórico” e ao “agora vai”, funcionando como vitrine de momentum eleitoral. A reflexão que fica: não é prova de vitória - é tentativa de convencer o leitor de que o jogo pode mudar, uma pesquisa de cada vez, com margem de erro e registro no TSE anexados como álibi estatístico.
Fontes presentes: Segundo a Gazeta do Povo, foram consultados resultados de institutos (Nexus/BTG Pactual, AtlasIntel, Real Time Big Data, Quaest, PoderData, “Futura Inteligência”, além de “Furura Inteligência” no texto) e, em trechos, comparações com levantamentos anteriores da própria Quaest. Também entram como “fonte” afirmações de contexto (ex.: estimativas do setor editorial sobre vendas e alcance em redes).
Fontes ausentes: Falta a voz de quem tem interesse direto em discordar dos números: campanhas dos rivais (PT/PL e demais), que em outros veículos aparecem com ceticismo e suspeitas. Falta também um olhar metodológico externo (estatísticos/metodólogos) sobre o quanto pesquisas online/painéis diferem de entrevistas presenciais e o que isso pode explicar no “salto” rápido. E o texto não dá espaço para investigação/checagem sobre possível impulsionamento artificial do engajamento que teria antecedido as subidas.
Avaliação do impacto: A seleção privilegia “o que confirma o avanço” e trata a sequência de pesquisas como chancela, sem contrapeso. Isso tende a empurrar a narrativa para a legitimação da ascensão do candidato (direção: pró-Cury), ao reduzir o espaço do “pode ser”, do “não sabemos ainda” e do “por que aconteceu tão rápido”.
O que os ignorados disseram em outros meios: UOL e Folha registraram minimização/ceticismo de campanhas e a desconfiança de que o crescimento nas redes pudesse ter componente artificial/pago. (noticias.uol.com.br) A Veja também enfatizou o “tabuleiro” sob suspeita e o fato de parte relevante do eleitor não conhecer o candidato no período anterior. (veja.abril.com.br)
Comparação sem base única: o texto diz que Cury “passou de 10%” e que antes “marcava no máximo 4%” e “não passava de 2%”, mas não explicita qual instituto/pesquisa serve como referência comum (qual data, qual TSE e qual cenário) para essas três “linhas de partida”.
Cenários pouco identificados: há menção a “primeiro turno estimulados”, “cenário de segundo turno” e “voto certo”, porém o artigo não separa claramente quais percentuais pertencem a quais cenários em cada instituto.
Falta síntese de dispersão: são listados institutos e variações, mas não aparece quantas pesquisas deram 7-11% e qual a amplitude/posição dentro da margem de erro (só os pp mudam; não se mede consistência estatística entre institutos).
1) O salto “de 2% para 10%” cabe dentro da margem de erro?
Segundo a matéria, as pesquisas têm margens de erro em torno de 1 a 2,2 pp. Pergunte: onde exatamente o número cai/escapa dentro desses intervalos?
2) É crescimento real de voto ou troca por efeito de curto prazo?
O texto descreve impulso em uma semana e mudança em “voto certo” e “conhecimento”. Falta comparar quando isso se mantém no tempo, e se acontece também em pesquisas com recorte semelhante.
3) Como a amostra foi medida: estimulada, conhecida e “definitiva” são a mesma coisa?
A matéria usa cenários estimulados e cita índices de conhecimento/votabilidade da Quaest. Pergunte: quantos entrevistados já “conheciam” antes, e quanto disso é intenção estável versus opção momentânea?
O texto se apresenta como “aritmético”, mas usa truques retóricos para empurrar uma narrativa. Segundo o texto, “um avanço rápido” e “meteórico” viram explicação em vez de evidência; o leitor é levado do dado (7% a 11%, acima de 2%) para a conclusão emocional (“terceira via”, “outro patamar”) sem resolver o salto lógico entre pesquisa e trajetória.
Há aumento e atenuação combinados: “desgarrada” dramatiza o crescimento, enquanto “a depender da sondagem” e a lista de metodologias servem como blindagem. A matéria também recorre a eufemismos de impacto (“ainda não é suficiente”, “não incomodar”) para suavizar o freio imposto pelos números do próprio texto (20-25,9 pontos de vantagem de Flávio e liderança de Lula).
A metáfora do “tirar intenções” e o enquadramento “saiu de desconhecido” funcionam como arco narrativo. Já a “consolidação” como “terceira via” soa como jargão de campanha disfarçado de análise. Não há ad-hominem direto; o texto critica apenas no sentido de descrever “planos” dos rivais, como se fossem peças de tabuleiro.
Quanto à discrepância título x corpo, o título fala “As pesquisas que confirmam o avanço”, mas o corpo vai além ao explicar causa por “debate”, “Jornal Nacional” e “Instagram”. Ou seja: confirma a virada nos números, mas “confere” uma causalidade que o texto não comprova - clickbait leve, com fantasia de bastidores.
Fontes diretas (institutos de pesquisa e veículo)
Evidências numéricas usadas para sustentar as ideias centrais
Base documental (metodologia e registros) citados no próprio artigo