O que: Um estudo coordenado pelo Cemaden aponta que três em cada dez cidades brasileiras não têm plano de contingência para desastres climáticos. Também indica falta de sistemas próprios de alerta, escassez de recursos e equipes reduzidas em parte dos municípios.
Por que: Segundo o coordenador da pesquisa, Victor Marchezini, a alta rotatividade de profissionais dificulta a preparação. O levantamento identificou ainda que 22% dos órgãos municipais de proteção e defesa civil têm apenas um profissional. Marchezini avalia que a falta de planejamento poderia aumentar o empobrecimento das cidades e o risco de mortes.
Quem: A pesquisa foi coordenada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp. O pesquisador Victor Marchezini explicou os resultados e apontou caminhos para ampliar a preparação.
Onde: O levantamento abrangeu municípios das cinco regiões do Brasil.
Quanto: Três em cada dez cidades não têm plano de contingência. Segundo a matéria, 37% dos municípios não possuem sistema próprio de alerta. A pesquisa analisou informações de 2.289 municípios, equivalentes a 41% do total; em 22% dos órgãos municipais de defesa civil, havia apenas um profissional.
Como: Marchezini recomenda que as prefeituras envolvam diferentes secretarias na elaboração de planos de redução de riscos e de contingência, que definem as responsabilidades de cada setor em emergências. Ele também cita cursos gratuitos, editais de financiamento e mapeamentos de risco disponíveis, além de defender o fortalecimento das defesas civis estaduais e a participação dos comitês de bacia hidrográfica nas ações de prevenção.
A Agência Brasil aponta a falta de preparo das prefeituras e destaca cursos, editais e a necessidade de equipes estáveis. A Exame olha também para cima: segundo reportagem baseada em auditoria do TCU, o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil seguia sem funcionar em janeiro de 2026. A coordenação nacional estava tão preparada que nem a cadeira do conselho havia esquentado. (exame.com)
Já a Folha mostrou que o governo federal vem subestimando despesas de defesa civil e recorrendo a créditos extraordinários. A prática atravessou os governos Bolsonaro e Lula. O ministério respondeu que é inviável calcular de antemão o custo exato do socorro e da reconstrução. (www1.folha.uol.com.br)
Há ainda uma diferença importante na régua. A Agência Brasil informa que a pesquisa alcançou 2.289 municípios, mas sua manchete sugere que o resultado vale para o país inteiro. A VAELITH ressalta que a participação não foi aleatória: os 30,1% sem plano são das cidades respondentes. Amostra não é bola de cristal. (vaelithlabs.com.br)
A Agência Brasil escolheu um enquadramento centrado nas falhas locais e nas soluções técnicas. O problema é real, mas o foco deixa em segundo plano tanto as responsabilidades federais quanto os limites de uma estatística apresentada como retrato nacional.
Segundo o estudo coordenado pelo Cemaden, três em cada dez municípios brasileiros não têm plano de contingência contra desastres climáticos. O dado aponta uma lacuna de preparação diante de eventos extremos.
A matéria informa que 37% dos municípios não contam com sistema próprio de alerta. Também cita falta de recursos e equipes reduzidas como obstáculos à atuação local.
A estrutura de defesa civil é outro ponto frágil: segundo o pesquisador Victor Marchezini, 22% dos órgãos municipais têm apenas um profissional. A alta rotatividade, afirma ele, dificulta manter conhecimento e capacidade de resposta.
Como caminhos para as prefeituras, o pesquisador recomenda integrar secretarias e parceiros em planos de redução de riscos e de contingência. Também menciona cursos gratuitos, editais de financiamento e mapas de risco já disponíveis.
Marchezini defende ainda fortalecer as defesas civis estaduais, com profissionais técnicos e menor rotatividade, além de envolver comitês de bacia hidrográfica na prevenção.
A pesquisa analisou 2.289 municípios, 41% do total. A matéria apresenta os resultados como sinal de vulnerabilidade, mas não detalha como os municípios foram escolhidos nem permite concluir que os dados representam todos eles com a mesma precisão.
No conjunto, o texto busca mostrar que improvisar durante uma emergência não substitui planejamento. A intenção parece ser alertar gestores e leitores para falhas de prevenção e indicar medidas possíveis, sem transformar a lista de recomendações em garantia de que os próximos desastres serão evitados.
Fontes presentes: A reportagem se apoia no estudo coordenado pelo Cemaden, com apoio da Fapesp, e entrevista apenas seu coordenador, Victor Marchezini. A explicação, os dados e as recomendações vêm, portanto, do mesmo núcleo de pesquisa.
Fontes ausentes: Não aparecem prefeitos, equipes municipais de Defesa Civil nem representantes de estados, que poderiam explicar obstáculos, responsabilidades e diferenças entre cidades. Também faltam moradores de áreas de risco, justamente quem depende dos alertas e planos. Uma cobertura da Folha sobre o estudo ouviu Marchezini e destacou a baixa participação popular; outro diagnóstico, da Confederação Nacional de Municípios, aponta falta de recursos e assistência técnica como entraves. (www1.folha.uol.com.br)
Avaliação do impacto: A seleção não invalida os números, mas estreita a narrativa: dá voz à pesquisa e deixa sem resposta quem executa as políticas e quem vive os riscos. O resultado tende a concentrar a explicação na fragilidade municipal, sem examinar com igual detalhe a divisão de responsabilidades e o apoio oferecido por outros níveis de governo. A matéria informa que foram analisados 2.289 municípios, 41% do total, mas não discute o que essa cobertura permite concluir sobre os demais. (agenciabrasil.ebc.com.br)
A matéria generaliza para o Brasil resultados de uma pesquisa que analisou apenas 2.289 municípios, ou 41% do total. Não informa como essas cidades foram escolhidas nem se a amostra representa o país. Sem isso, “três em cada dez” pode descrever os municípios pesquisados, não necessariamente todos os brasileiros.
Também faltam o período dos dados e os critérios usados para definir “plano de contingência” e “sistema próprio de alerta”. E os 37% se referem só à falta de alertas ou também à escassez de verba e de equipes? Sem separar esses indicadores, o número fica ambíguo.
A matéria da Agência Brasil adota tom informativo e pouco agressivo. O título resume o dado central sem exagero evidente, mas soa mais abrangente que a pesquisa descrita no corpo: foram analisados 2.289 municípios, equivalentes a 41% do total. Essa ressalva aparece apenas no fim, quando o leitor já pode ter entendido o número como retrato de todas as cidades.
O texto atribui os dados a um estudo do Cemaden e apresenta explicações e propostas de seu coordenador. Não informa, porém, como os municípios foram selecionados nem detalha a metodologia, o que limita a avaliação do alcance dos resultados. Também aproxima, sem esclarecer bem a relação entre eles, falta de alertas, escassez orçamentária e equipes reduzidas. Não há sarcasmo ou ataque pessoal; a principal fragilidade retórica é deixar a ressalva metodológica para o rodapé, por assim dizer.
Estudo do Cemaden
Entrevista com Victor Marchezini