O que: Pesquisa Datafolha mostra que amigos, redes sociais, líderes religiosos e imprensa ganharam influência sobre o voto para presidente às vésperas do primeiro turno. A maioria, porém, ainda afirma que nenhum dos seis grupos avaliados terá influência na escolha.
Por que: Segundo a pesquisa, a opinião de amigos próximos, perfis seguidos nas redes sociais e líderes religiosos passou a ser considerada por mais eleitores do que em julho. A influência da imprensa também subiu, enquanto a da família oscilou pouco.
Quem: Foram avaliadas as opiniões de amigos próximos, cônjuges ou namorados, filhos, pessoas seguidas nas redes sociais, jornalistas e líderes religiosos. Homens declararam sofrer mais influência do que mulheres, sobretudo de amigos e parceiros.
Onde: A pesquisa ouviu eleitores em 152 municípios brasileiros.
Quando: As respostas foram comparadas com levantamento realizado em julho. A pesquisa foi divulgada em 2 de outubro, antes do primeiro turno das eleições de 2026.
Quanto: Foram realizadas 2.506 entrevistas. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Entre amigos próximos, a influência subiu de 36% para 43%. Nas redes sociais, passou de 32% para 39%. Entre líderes religiosos, foi de 23% para 30%. A influência da imprensa oscilou de 38% para 42%.
Como: O Datafolha perguntou se a opinião de cada grupo teria muita, pouca ou nenhuma influência no voto para presidente. A pesquisa está registrada sob o número BR-08039/2026.
A Folha vende a reta final da eleição como se fosse tendência de moda: amigos próximos, redes sociais e líderes religiosos “ganharam” peso, e a imprensa até oscila no limite da margem de erro. Só que, por trás do carnaval dos 7 pontos percentuais, a maioria ainda diz que nada disso manda no voto. Segundo a Folha, é aumento, mas continua sendo “não influencia”. (www1.folha.uol.com.br)
A Exame troca o foco da Folha. Em vez de discutir a subida na reta final, martela o recorte de gênero: homens assumem mais influência de amigos e das redes do que mulheres. Traduzindo: não é “novidade de comportamento coletivo”, é “quem admite mais influencia”. E, de novo, a resposta “nenhuma influência” continua dominante. (exame.com)
Já o Jornal Opção faz o inverso do inverso: pega a baixa influência declarada de líderes religiosos e chama atenção para o “atalho” dos entrevistados. Segundo o veículo, especialistas sugerem que pode haver constrangimento para admitir influência direta e que a religião pode operar por vias indiretas. (jornalopcao.com.br)
Conclusão: O framing da Folha escolhe a régua dos percentuais e a dramaturgia do “antes e depois”, como se influência fosse termômetro. Com isso, esvazia a pergunta real: como essas pessoas influenciam, e por que tanta gente jura que não foi influenciada.
A matéria conclui que a influência percebida cresce perto do primeiro turno. Segundo o Datafolha, a opinião de amigos próximos, redes sociais e líderes religiosos teve aumento em relação a julho, medido em pontos percentuais.
Amigos e redes sociais lideram entre os “canais” pessoais. De acordo com os percentuais citados, amigos próximos sobem de 36% para 43% e perfis seguidos nas redes sociais vão de 32% para 39% (muita ou pouca influência).
Igreja fica com menor peso, mas não fica parada. A influência de líderes religiosos vai de 23% para 30% (muita ou pouca), embora continue sendo o grupo com menos eleitores atribuindо impacto.
A influência da imprensa cresce no limite da margem de erro. Segundo o texto, jornalistas e profissionais da imprensa passam de 38% para 42%, com oscilação descrita como próxima do patamar da margem.
Família aumenta pouco e continua sendo “menos decisiva” para a maioria. O impacto de cônjuge/namorado muda pouco (41% ante 38%), e a influência dos filhos também permanece praticamente estável, com grande parte negando efeito.
Apesar do crescimento em alguns grupos, a maioria ainda nega influência. O artigo sustenta que, em todos os seis grupos medidos, predominam eleitores dizendo que a opinião dessas pessoas “não terá nenhuma influência”.
Há recorte por gênero: homens se dizem mais influenciados. A matéria destaca diferenças sobretudo em amigos próximos e cônjuge, enquanto outros itens ficam em empate técnico ou perto do limite estatístico.
Intenção editorial sugerida: reforçar a “circulação de influência” sem provar quem manda de fato. O texto descreve o que eleitores acham que pesa, deixando implícito que as campanhas disputam mais percepções do que certezas.
Fontes presentes:
O artigo se apoia quase inteiramente nos números da pesquisa Datafolha divulgada em 2 de outubro, com 2.506 entrevistas em 152 municípios. As “fontes ouvidas” são basicamente os próprios eleitores, perguntados sobre quanto amigos, redes sociais, líderes religiosos, imprensa, cônjuge/parceiro e filhos influenciariam seu voto. (www1.folha.uol.com.br)
Fontes ausentes:
Ficam fora da narrativa especialistas que ajudem a interpretar o que “influência declarada” realmente mede, e por que as pessoas podem subestimar certos pesos (por constrangimento, viés de resposta ou leitura superficial da pergunta). Também não aparecem falas de atores diretamente mencionados pelo estudo (lideranças religiosas, jornalistas, influenciadores) para contextualizar como esses grupos operam influência na prática. Por fim, na versão publicada aqui, não entram recortes relevantes para nuance, como escolaridade, região e dinâmica partidária, que outras matérias exploraram. (jornalopcao.com.br)
Avaliação do impacto:
A seleção empurra o leitor para uma conclusão “ao pé da letra” dos percentuais, sem contrapeso analítico sobre limitações do método e sobre mecanismos sociais da influência. Na direção, tende a tratar a religião como menos determinante do que pode ser, e a transformar fatores de rede em “dados neutros”, quando eles exigiriam interpretação. Em outras coberturas, especialistas contestaram exatamente essa leitura simplificadora. (jornalopcao.com.br)
O que os ignorados disseram em outros meios:
No Jornal Opção, cientista político e especialista em marketing político afirmam que perguntar sobre influência direta de líderes pode gerar constrangimento e captar só parte da relação entre fé e política. Eles defendem olhar também para valores, comunidade e ambiente social, sugerindo que a religião pode continuar relevante mesmo com baixa “influência declarada”. (jornalopcao.com.br)
O que falta para interpretar plenamente os números (segundo a própria matéria):
O que não está detalhado o suficiente para análise metodológica:
1) O que exatamente a pesquisa mede: influência real ou percepção?
Segundo o texto, o Datafolha pergunta “muita, um pouco ou nenhuma influência”. Isso mede como o eleitor se enxerga, não necessariamente o que muda o voto na prática.
2) Quais diferenças podem ser “ruído estatístico”?
A matéria destaca variações de 7 pontos e diz que jornalistas ficaram no “limite da margem de erro”. Antes de concluir tendência, vale checar intervalos para cada grupo e o que muda fora do erro.
3) Para quem vale a conclusão e qual recorte pode faltar?
O texto traz resultados por gênero e por alguns perfis (relacionamento estável, filhos com 16+). Falta ver como ficam recortes por renda, escolaridade, região, religião específica (além de católicos e evangélicos) e nível de interesse em política.
4) O “topo” dos grupos não esconde o resto?
Mesmo com alta na percepção de influência, a maioria ainda diz que não há influência em todos os grupos. Vale perguntar: essa divisão muda entre quem “tende ao voto” e quem ainda está indeciso?
O texto busca uma imparcialidade estatística ao repetir percentuais, margens de erro, base amostral e registro da pesquisa. Porém, esse verniz de precisão convive com um aumento dramatizado no lead: “cresceu 7 pontos” e a ideia de “às vésperas do primeiro turno” sugerem um peso crescente no eleitorado, ainda que o próprio corpo diga que, no caso da imprensa, a variação fica “no limite da margem de erro”. Em termos de atenuação, o texto reforça que “a maioria ainda diz” que não há influência, o que funciona como contrapeso.
Há eufemismos e suavizações na forma como a influência é tratada como algo mensurável sem discutir por que ela mudaria. Também aparece agressividade leve no enquadramento indireto: “Amigos, redes sociais, igreja e imprensa influenciam mais” cria um efeito de superioridade da tese, mesmo quando metade dos eleitores segue dizendo “nenhuma influência”. Metáfora não existe, mas há argumento lógico do tipo “variação percentual igual a mudança real”, que o texto sustenta sem explicar causalidade.
No fim, o título parece perto do clickbait porque promete “amigos, redes sociais, igreja e imprensa” como motor do voto, enquanto o corpo repetidamente conclui que, em todos os grupos, a maioria nega influência. O resultado é quase um “cresceu, mas não mudou tanto” com números: estatística como cortina de fumaça, com sarcasmo embutido na própria contradição.
Fontes diretas citadas no artigo
Evidências numéricas apresentadas
Evidências por recorte demográfico e limites de incerteza