Mais votada, Campopiano também diz que feminicídio “não existe” - informação que a chamada deixou de fora
O que: Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, foi eleita a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1.956.238 votos. A parlamentar ganhou projeção com um discurso conservador e antifeminista nas redes sociais, em podcasts e na propaganda eleitoral.
Por que: Segundo a matéria, Campopiano se apresenta como “a maior inimiga das feministas de São Paulo” e pretende se opor a iniciativas como o projeto de criminalização da misoginia. Ela também defende o porte de armas, é contrária às cotas raciais e rejeita o reconhecimento formal da prostituição como profissão.
Quem: Campopiano é aliada política de Lucas Pavanato (PL), vereador de São Paulo eleito deputado federal. Ela afirma ser conservadora e antifeminista. Também declarou que não deseja proibir o aborto, mas pretende promover atendimento a gestantes, a entrega legal para adoção e ações contra clínicas clandestinas.
Onde: A eleição ocorreu no estado de São Paulo. Campopiano nasceu em Campinas e foi vereadora em Praia Grande, no litoral paulista.
Quando: A eleição ocorreu no domingo, 4 de outubro de 2026. Campopiano havia conquistado seu primeiro mandato em 2024, quando foi eleita vereadora de Praia Grande.
Quanto: Ela recebeu 1.956.238 votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Em 2024, havia sido eleita vereadora com 3.583 votos. Entre 16 e 30 de agosto, oito publicações suas somaram 676.959 interações nas redes sociais.
Como: A parlamentar construiu sua atuação pública nas redes antes de entrar na política institucional. Durante a campanha, participou de podcasts e debates, além de publicar conteúdos em conjunto com Pavanato e associar sua candidatura a Jair Bolsonaro, Guilherme Derrite e Flávio Bolsonaro.
Glossário: Alesp é a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. PL é o Partido Liberal. Misoginia significa aversão ou desprezo às mulheres. Feminicídio é o assassinato de uma mulher motivado por sua condição de mulher.
Na Folha, Eduarda Campopiano chega à Alesp como se fosse personagem de série apocalíptica: “inimiga das feministas”, “guerra” em andamento e um cardápio de pautas (aborto, cotas, porte de armas, misoginia) servido com tom de combate. (www1.folha.uol.com.br)
Aí entra a vida real, onde nem todo mundo escolhe transformar eleição em ringue. A CNN vai pelo retrato: 23 anos, mais de 1,9 milhão de votos e trajetória em redes, sem drama de guerra cinematográfica. (cnnbrasil.com.br)
O UOL dá o foco no efeito cultural, mostrando como o “antifeminismo” vira assunto em escala de Google e estratégia de campanha. (noticias.uol.com.br) Já o Terra prefira o “chama no palco”: Campopiano explica por que se considera inimiga das feministas. (terra.com.br)
O Poder360 escolhe o episódio: a briga com Erika Hilton vira notícia de bastidor, com menção a providências e contexto. (poder360.com.br)
Conclusão: A Folha escolhe o framing do confronto cultural. Transformar voto em “batalha contra feministas” reduz política a novela de inimigos, como se agenda legislativa fosse só trilha sonora para briga identitária. (www1.folha.uol.com.br)
Eduarda Campopiano (PL) vence as eleições para a Alesp como a deputada estadual mais votada em São Paulo, com 1.956.238 de votos, segundo a matéria. O texto sublinha que ela chega à Assembleia menos de dois anos após o primeiro mandato.
A narrativa central é a postura antifeminista atribuída à candidata. Segundo a Folha, ela se autointitula “a maior inimiga das feministas de São Paulo” e afirma que “a guerra tá só começando”, usando o debate sobre misoginia como exemplo de confrontos políticos.
O artigo lista pautas conservadoras específicas e contrárias a iniciativas ligadas a direitos. A matéria aponta oposição a cotas raciais e a reconhecer a prostituição formalmente como profissão, além de defender que o aborto não deveria ser “proibido”, mas “impensável”, com foco em atendimento a gestantes.
O texto tenta conectar influência digital e desempenho eleitoral. Segundo a matéria, sua projeção vem de conteúdo em redes sociais e participação em podcasts, com números de engajamento monitorados por um instituto citado pela Folha.
Estratégia comunicacional aparece como “coisa de família” política. O texto descreve a proximidade com Lucas Pavanato, inclusive com referências a campanhas e produção de conteúdo conjunta.
Fecho com intenções menos neutras do que parece: ao construir a personagem por frases de impacto e embates culturais, a matéria funciona como um retrato de “guerra de narrativas” mais do que como debate de ideias, sugerindo que o objetivo final é explicar popularidade por contraste e atrito.
Fontes presentes: Segundo a matéria, a narrativa se apoia principalmente em falas da própria Eduarda Campopiano, captadas em “entrevista à Folha” e em programas/podcasts como o RedCast e o Notícia iLtda, além de um debate em que aparece Fernanda Melchionna (PSOL). O texto também usa dados de um levantamento atribuído ao Instituto Democracia em Xeque e recorre a informações do próprio site/campanha para descrever origem da produção de conteúdo. (www1.folha.uol.com.br)
Fontes ausentes: Ficam de fora vozes de movimentos feministas e entidades de defesa de direitos das mulheres para responder diretamente ao enquadramento de “guerra contra feministas” e às teses da candidata sobre feminicídio e aborto. Também não aparecem juristas e especialistas sobre o impacto prático da criminalização da misoginia, nem profissionais de saúde ou do sistema de justiça para contextualizar como políticas de aborto e proteção a vítimas funcionam. Em outras coberturas, há espaço para críticas de especialistas ao alcance e às limitações dessas mudanças penais. (poder360.com.br)
Avaliação do impacto: A seleção de fontes privilegia a autodefinição da candidata e o confronto cultural, com contrapesos mais fracos sobre consequências, riscos e discordâncias técnicas. Resultado: o texto empurra o leitor para entender o tema como briga de identidade, e não como disputa de políticas públicas com efeito mensurável. (www1.folha.uol.com.br)
Ausências que mudariam a leitura materialmente (segundo o que o texto traz e o que não traz):
1) Base do “mais votada”: o artigo dá o total (1.956.238), mas não informa comparação direta com a segunda colocada ou com as demais candidaturas a deputado estadual na Alesp. Fica difícil calibrar o “recorde”.
2) Contexto do apoio político: afirma que é aliada de Lucas Pavanato (PL) e menciona vínculos com lideranças bolsonaristas, mas não detalha quais pactos, cargos ou deliberações políticas a ligam a esse grupo.
3) Checagem das teses citadas: traz falas sobre “misoginia”, feminicídio e aborto, mas não explica como seus projetos se conectam a matérias concretas (número de propostas, tramitação, autoria). Sem isso, a leitura vira mais retrato retórico do que prova de agenda.
1) O que é “fato” e o que é “rótulo”?
Segundo a matéria, Campopiano se autointitula “inimiga das feministas” e a Folha descreve temas e falas. Pergunta ao leitor: o adjetivo “antifeminista” é só contextualização ou vira prova? Vale comparar com vídeos completos e entrevistas fora do recorte.
2) Onde estão os contrapontos ausentes?
O texto traz posições sobre misoginia, aborto, armas e cotas, mas não mostra respostas detalhadas de opositores sobre impactos dessas propostas. Quais organizações feministas e especialistas em segurança, saúde e direito penal discordariam, e por quê?
3) Como a projeção digital foi medida e o que isso significa?
Segundo a matéria, há levantamento do Instituto Democracia em Xeque com interações. Pergunta: interações equivalem a apoio real e voto, ou só alcance? Faltam dados sobre público, receita de campanha, intenção de voto e comparação com outros candidatos.
A matéria usa imparcialidade parcial: há citações diretas e dados de votação, mas a moldura editorial vem pronta, com rótulos como “inimiga das feministas” e a síntese “guerra tá só começando”, que dão tom de confronto antes dos detalhes. O aumento aparece no “infinitamente maior” e na ênfase na projeção digital, sem contextualizar limites do impacto; já a atenuação é rara, porque termos como “antifeminista” e “guerra” caminham para escalada.
Há agressividade explícita e repetição de posicionamentos (“Sou antifeminista. E não vou dar para trás”), funcionando mais como trilho do que como explicação. As metáforas (“guerra”) e o enquadramento como “disputa” fortalecem clima de batalha. Não há sarcasmo no texto, mas há um deboche indireto pelo contraste entre descrições institucionais e a linguagem bélica.
Como clickbait, o título promete ataque identitário (“inimiga das feministas”) e o corpo confirma a autoatribuição do rótulo, porém transforma diferença política em rixa total, repetindo falas sem trazer contrapontos equivalentes. É reportagem com dados, mas com narrativa pronta: a tese do confronto chega antes da contextualização.
Fontes e referências diretas usadas no artigo
Evidências empíricas citadas para sustentar as ideias centrais
O que o texto atribui, mas não prova com fonte explícita (ou deixa vago)