O que: Em entrevista à VEJA, o publicitário Eduardo Fischer relembra os pouco mais de dois meses em que trabalhou na pré-campanha de Flávio Bolsonaro em 2026. Ele também avalia o uso de inteligência artificial, o cenário eleitoral e a qualidade da publicidade brasileira.
Por que: Segundo Fischer, a equipe entrou na campanha durante uma sequência de crises envolvendo Flávio Bolsonaro, o caso Dark Horse, o Banco Master e o rompimento com Michelle Bolsonaro. O objetivo era apresentar Flávio ao eleitor e consolidar sua imagem, já que Jair Bolsonaro era mais conhecido.
Quem: Eduardo Fischer, publicitário de 69 anos, foi responsável pela comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A entrevista também menciona Flávio, Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Javier Milei, Augusto Cury, Romeu Zema e Daniel Vorcaro.
Onde: A campanha ocorreu no Brasil. Fischer também cita uma viagem a Buenos Aires, onde ele e Flávio Bolsonaro convidaram Javier Milei para o lançamento da campanha.
Quando: Fischer afirma ter trabalhado por pouco mais de dois meses, durante a pré-campanha presidencial de 2026. Segundo ele, Flávio perdeu 6 pontos percentuais em 20 dias e terminou o contrato empatado tecnicamente com Lula, conforme pesquisa BTG/Nexus.
Quanto: O jingle “Vem com Fé” alcançou mais de 55 milhões de visualizações. A série “Fox Bravo”, com vídeos gerados por inteligência artificial, superou 15 milhões de visualizações. Fischer também menciona de 20 milhões a 30 milhões de eleitores ainda indecisos.
Como: A equipe usou jingles, vídeos bem-humorados, redes sociais e inteligência artificial para aumentar o reconhecimento de Flávio. Um vídeo de Jair Bolsonaro criado com IA, apresentado como um avatar, levou o Supremo Tribunal Federal a discutir o uso da tecnologia em campanhas eleitorais.
Como: Fischer atribui a saída da equipe à existência de “forças ocultas” e afirma que a decisão foi mútua e amigável. Na avaliação dele, a televisão continua decisiva, especialmente para alcançar eleitores menos favorecidos, embora as redes sociais tenham ganhado espaço.
Glossário: “Recall” é o grau de lembrança que uma pessoa ou marca consegue gerar no público. “Empate técnico” indica uma situação em que a diferença entre candidatos está dentro da margem de erro da pesquisa. “Mass media” significa mídia de massa, como televisão, rádio, jornais e outros meios de amplo alcance.
Na VEJA, Eduardo Fischer vira quase personagem de novela publicitária: “era crise todo dia”, mas com o toque de mágica do gênio do marketing - jingle com 55 milhões de views e vídeo com IA que, segundo a matéria, obrigou o Supremo a se debruçar sobre o uso da ferramenta. (veja.abril.com.br)
Só que o resto do noticiário não compra a fantasia. A AP trata o caso principalmente como regulação de deepfakes e efeito jurídico do que passou na convenção, não como “case” de criatividade. (apnews.com)
Já CNN Brasil e UOL enquadram Fischer dentro da crise comunicacional disparada por áudio e envolvimento com o caso Master - foco em danos, reação e resposta. (cnnbrasil.com.br)
E Gazeta do Povo ainda avisa: marketing comercial e política têm ritmos incompatíveis. Na VEJA, crise é tempero; nos outros, é fumaça. (gazetadopovo.com.br)
Conclusão (framing): a VEJA escolhe narrar o escândalo como espetáculo de performance e “debate institucional” gerado por estratégia. Em vez de tratar o episódio como risco informacional e problema político-jurídico, transforma o turbilhão em vitrine de talento - com a cara de quem diz “não foi acidente, foi método”.
A matéria retrata uma passagem curta e atribulada na campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo o entrevistado, a entrada ocorreu durante uma sequência de crises, com “era crise todo dia”, e ele cita perda rápida de pontos e novos escândalos em sequência (segundo a entrevista na VEJA).
O texto sustenta que a comunicação usou números e formatos digitais para gerar recall. O artigo destaca vídeos e ações com IA (como o vídeo com Jair Bolsonaro) e menciona volume de visualizações de peças citadas pelo publicitário (dados apresentados na fala, sem verificação adicional no texto).
Há uma “conclusão institucional” sobre o caso da IA: o Supremo teria sido provocado. Segundo o publicitário, a forma de apresentar o uso de IA no vídeo levou o tema ao debate judicial (conforme ele afirma).
O artigo associa o avanço na corrida à estratégia de marca e ao contexto de rejeição. Segundo ele, no fim do período havia empate técnico nas pesquisas citadas e que “forças ocultas” teriam influenciado a saída, de forma amigável (conclusões atribuídas à fala do entrevistado).
Tese central para a eleição: muita gente indecisa pode decidir, mas falta tempo para “terceiros”. O texto argumenta que eleitores moderados estariam em dúvida e que uma “terceira via” teria dificuldade por causa do calendário eleitoral (interpretação do entrevistado).
Crítica dura ao padrão de debates e à normalização do descumprimento de regras. O publicitário sustenta que não comparecer a debates e aceitar campanhas “piores” é erro do eleitor (posição defendida no texto).
Avaliação dupla do marketing: TV ainda é decisiva, mas redes mudaram o jogo. O artigo afirma que digital pode aumentar recall, porém a TV segue determinante para grande parte do público (construção argumentativa do entrevistado).
Fecho de tom ensaístico: propaganda perdeu qualidade e ficou mais “trash”, mas emoção vende. O texto conclui que criatividade e emoção continuam sendo o que sustenta marcas e vendas; o problema seria a queda de importância dada pelos clientes e a facilidade de produzir “qualquer coisa” (tese do entrevistado).
Intenção provável do autor: defender que comunicação de qualidade ainda funciona - e cutucar o presente com nostalgia comercial. Ao comparar campanhas “inesquecíveis” do passado com o declínio atual, a entrevista tenta convencer o leitor de que técnica, emoção e mídia tradicional não viraram enfeite; só foram negligenciadas.
Fontes presentes: A matéria se baseia sobretudo em entrevista com o publicitário Eduardo Fischer. Também usa BTG/Nexus como referência numérica (“empate técnico” no fim do contrato) e cita a fala de Rogério Marinho (elogio ao trabalho). O Supremo aparece apenas como “instituição que discutiu” o vídeo com IA, sem ouvir ninguém de lá no texto.
Fontes ausentes: Faltam respostas diretas da própria campanha de Flávio e de defesas jurídicas sobre eventuais ilegalidades do caso “Dark Horse/Banco Master”. Também ficam fora investigadores/MP/PF e quem acompanha o inquérito, apesar da gravidade do tema. Outra ausência: especialistas em direito eleitoral e o tratamento regulatório do tema “deepfake/IA” (ouvidos em outros lugares). E, para equilibrar a avaliação, falta a contranarrativa do PT/campanha de Lula sobre “qualidade da propaganda” e sobre o caso.
Avaliação do impacto: A seleção concentra a narrativa na versão do “marqueteiro” e nas suas justificativas (“era crise todo dia”, “IA com aviso”), reduzindo contrapesos. O viés tende a normalizar a defesa de Flávio e a desqualificar o PT sem conferir o peso das controvérsias.
Em outros veículos, há registro de que a crise envolve investigação e disputa institucional no STF (apnews.com), e que o TSE/STF tratou o uso de IA/deepfakes como tema regulado (apnews.com); além de “perguntas sem resposta” sobre o financiamento do filme (www1.folha.uol.com.br).
Fonte e método do “empate técnico”: o texto diz “Flávio tinha 45% contra 46% de Lula, segundo a BTG/Nexus”, mas não informa a margem de erro, intervalo de datas e tamanho da amostra. Sem isso, “empate técnico” fica só um rótulo.
Evidência das “crises” e suas datas: há menção a Dark Horse e Banco Master, mas o texto não contextualiza o que são, quando surgiram e qual foi o impacto mensurado além dos “6 pontos em 20 dias”.
Dados de alcance sem auditoria: “jingle com mais de 55 milhões” e série com “mais de 15 milhões” aparecem sem dizer plataforma (YouTube, TikTok etc.), período e critério de contagem. Isso altera a leitura do peso real das peças.
O que exatamente é “impacto” nessa entrevista?
Segundo o texto, aparecem números de visualizações e um “empate técnico” na BTG/Nexus. Falta checar o quanto isso virou voto (ou só cliques).
Crises “de fora” e “de dentro” estão separadas com clareza?
O publicitário diz que “era crise todo dia” e que “nenhuma gerada pela campanha”. O texto não mostra evidências nem cronologia comparável para medir influência causal.
IA ajudou ou só criou mais polêmica?
O artigo afirma que o vídeo levou o Supremo a discutir IA em campanha. Mas não informa efeitos eleitorais diretos desse fato. O leitor deve perguntar: rejeição cresceu ou ajudou a virar o jogo?
O texto aposta numa imparcialidade performática: traz números (como BTG/Nexus, views e “empate técnico”), mas a matéria constrói um viés ao escolher falas que favorecem a gestão do publicitário e colocam os “problemas” no ambiente (“crise todo dia”, “forças ocultas”). Segundo a entrevista, Fischer descreve a própria passagem como “muito produtiva” e “mais do que cumprir a missão”, sem igual espaço para contradições ou para a versão do outro lado.
Há aumento frequente (“era crise todo dia”, “obrigar o Supremo”, “urgente que se esclareçam”), e também eufemismos que suavizam críticas: “forças ocultas” funciona como explicação-coringa. O texto usa metáforas e analogias como atalho de persuasão (“onda azul”, “pênaltis”, “camisa 10”), e a argumentação lógica aparece mais como efeito do que como prova: afirma-se que “quanto menos esclarecimento ocorrer, mais rejeição”, mas sem evidência no corpo do artigo. Também há agressividade disfarçada de crítica cultural: “bota qualquer coisa no ar” e “trash” operam como sentença, não como análise. Ad-hominem aparece quando se culpa “quem não quer ir a um debate” e quando se caracteriza a propaganda do PT como “deixando muito a desejar”, sem dados equivalentes.
A tensão entre título e corpo sugere clickbait: o título promete “relembra trabalho” e “era crise todo dia”, mas o corpo vira um tratado de marketing político, com espaço considerável para avaliações sobre Lula, TV, redes e a qualidade da publicidade. O resultado é um “relato de bastidor” que termina sendo editorial disfarçado - com deboche leve no estilo “telinha” x “telona”, mas sem desligar o microfone do posicionamento.
Em termos retóricos, o texto mistura factóides, autoridade (prêmios e histórico) e linguagem forte para fechar um raciocínio simples: crise, IA, marketing e lição cultural. O problema é que a persuasão ganha da verificação: quando falta sustentação, entram slogans, comparações e diagnósticos absolutos. Isso vende análise, mas entrega principalmente narrativa.
Fontes citadas diretamente na matéria (identificáveis)
Evidências/elementos usados para sustentar as ideias centrais
Observações sobre “fontes” sem comprovação direta (quando cabível)